quarta-feira, 10 de abril de 2013

Cantata em blá, blá, blá menor.

Quão mal vai a crise da divida pública,
A crise económica e o desemprego
E quem com elas ou delas se ocupa.

Felizmente, que salvaguarda o parlamento o cidadão mais leigo
aquele que, qual jumento, se quer meigo,
responde ainda com literatura oitocentista,
bordões de revista, calões em português puro
a tão inédito apuro.


Desapareceram da Europa os políticos de grande porte:
"Offro fame, sete, marce forzate, battaglie e morte"
E quem hoje como então, prometendo,
à permuta de pão, sangue, suor e lágrimas,
lograria consenso obter no democrático casarão? 

Sobre tal estabelecimento cumpre crivar.
Dura empresa me espera,
trabalho de químico analisar o ar.

Uma a uma, duzentas e trinta cabeças é muito gado.
Pouca substância para tamanho enfado.
Fortunosos tempos, que devolvem critério à distinção outrora feita
que dilacerava a nação entre esquerda e direita

Inaugurando pela unidade prosam com sagacidade:
O seu governo já não reúne as necessárias condições politicas
para governar,
o seu governo há muito que não reúne consenso para governar.
Da bancada do Terceiro Estado, farta paleta retórica,
umas pinceladas de modernidade no marxismo,
e prosseguem, proféticos, o messianismo:
que importa ao parlamento,
há que criar emprego, pôr a economia a funcionar!
estando-se a cagar de onde vem o investimento.
Assim prometeu S. Jerónimo ateu.

O parlamento aquece
o pais de fome morto arrefece

Propugnam: ...uma politica mais amiga e próxima das pessoas
E elas que a querem tão longe.

Não menos moderna vai a direita no libreto,
que à razão de desconstar o elitismo,
preceituando bem o preto,
mais esclarecem o snobismo.

"É a politica da esmola"
prosa que pouco consola
A politica esconde o mal no reverso do avesso e vive-versa
A bem Boécio que a filosofia responde em verso!

Défice, balança de pagamentos,
execução orçamental, colocação de dívida,
não sabem conceito os cidadãos anónimos:
Foda-se, conhece?
Prosseguem com acrónimos:
IVA, IRC,IRS...

Não se obnubile outrossim, que bem representam esta nação:
Povo humilde, mais letrados embora, fanfarrão,
De calças e cuecas na mão pouco vale que tudo se veja
Enquanto se puder beber cerveja?

Sobre o monástico liquido não se reprove
Nem só bem faz solver as zonas púbicas
Também o faz nas contas publicas,
Assim alemão, borracheirão, que o comprove.

O senhor primeiro-ministro dos portugueses do respectivo partido
que cumulativamente preside,
não pode andar nas ruas acagaçado
já não fica bem nem assim nem assado,
nem seguro onde reside, 
tão-pouco o outro que ergue em substântivo
o adjectivo que aquele se grudou, 
cujo a antónimo a este idem  

Trotemos, troikemos pelo estado de emergência,
não troquemos os tês 
que há que tê-los no sítio. 

Todos filhos de bons navegadores
venda cada um seu peixe como pode
o cantem bons narradores
não assim mal, em virtuosa ode. 




Sem comentários:

Enviar um comentário