Tenho dezassete minutos para escrever esta crónica. Se me deito às seis quando as nuvens que creio feitas de todo o meu tabaco permitem que o sol desancore do sono as almas inavegáveis dos que pegam às nove, é porque o dia desinteressa a quem pegar significa despegar. E a esses como a mim o dia gruda às coisas ao que são, e o que sobra saber é o que não são. E cada vez se sabe menos porque se vê demais, porque à noite quando apenas a pupilar excepção dos olhares felinos descobria a existência nocturna das coisas, e decerto porque a esses pouco lhes interessa o que não são, se alumia com candeeiros furtivos alvejando a inexistência como se imagina adejando contra o fumo das nuvens que condenso fazendo essaoutra existência precipitar sobre mim que repassado de distorções torço na almofada as insónias e ancoro no sonho, a vida possível no sono. E os outros de manhã lá vão felinos sobre as portas alarmantes dos transportes, enquanto eu humanamente vou cegando as insónias que palpam vagamente o sossego.
Às vezes também preciso escrever em um curto espaço de tempo.
ResponderEliminar