Quando não sabia de mim a minha mãe gritava e não era louca. Era apenas a minha mãe à procura de mim ou da minha obediência que não raro se ensurdecia ignorando. E hoje ignorando-te no espaço gritei, como não se grita senão por filhos, habilitando na boca de Vargas no café o qualificativo de louco. E com razão, não me conhecendo filiação alguma Vargas nada mais podia senão desacreditar-me o juízo e punir-me pelo desassossego de tragédia que lhe havia causado. Não o censuro. E como tal ainda amigos, de uma amizade que já ouvira muitas vezes a minha mãe a gritar por mim, despedia-me:
- Adeus Vargas, vou a procura dela e não sei quando volto.
Emalei as memórias todas que tinha dela, amontoei no bolso um punhado de poemas e lá fui eu sentado na varanda.
Procurei-te em mim, mas eu próprio perdido de mim e assim de ti. Procurei-te em Botticelli, e eu lá Marte derrotado, guerrilhando apenas com o espaço que a imaginação nos ocupa. Procurei-te nos sítios onde te queria encontrar, e tu sempre me fugindo aos desejos. Qual bússola, do bolso entretecidos os poemas assim confundidos donde orientação esperava nada mais que bês, cês, dês, e letras de curvatura pior cercando-me no exasperante labirinto de cuja solução espero que tu e nunca minotauros ou criaturas de índole ou aparência tal.
Do maço, eterno companheiro de semelhantes viagens, já não saiam cigarros e a varanda um cinzeiro onde cinzas talvez nossas, ou sepultura da fénix que nunca morre como espero nós.
Procurei-te em mim, mas eu próprio perdido de mim e assim de ti. Procurei-te em Botticelli, e eu lá Marte derrotado, guerrilhando apenas com o espaço que a imaginação nos ocupa. Procurei-te nos sítios onde te queria encontrar, e tu sempre me fugindo aos desejos. Qual bússola, do bolso entretecidos os poemas assim confundidos donde orientação esperava nada mais que bês, cês, dês, e letras de curvatura pior cercando-me no exasperante labirinto de cuja solução espero que tu e nunca minotauros ou criaturas de índole ou aparência tal.
Do maço, eterno companheiro de semelhantes viagens, já não saiam cigarros e a varanda um cinzeiro onde cinzas talvez nossas, ou sepultura da fénix que nunca morre como espero nós.
- Boas Vargas, como vai isso?
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