Só não serei um homem comum porque todos os demais homens são homens incomuns. Se for incomum como todos os demais homens que são incomuns sou igual a eles incomum. Não posso ser o único homem comum. Não posso ser o único homem incomum. Só posso ser. Posso aspirar à distinção e à indistinção, aspirar, porém, e sempre como os demais. Indistinto ou distinto como os demais. Preso à humanidade como os demais. Agrilhoado à vida, temendo a liberdade da morte, temendo que é menos livre a morte que a vida. Estar vivo é ter medo de morrer, morrer é não puder sequer ter medo. Ter medo é mau, pior será não puder sequer ter medo. Tenho inquietantemente medo da vulgaridade, mais sabendo que vulgar ou invulgar sou sempre como os demais.
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