Esta terra é uma lição de humildade sem voz. O nome e o verbo, ninguém, onde vos? Só se pode ser humilde sem voz, só se pode ser arrogante para alguém. Esta terra talvez um poema, um poema sem barulho, um poema afónico que só a alma sabe tocar. Só a alma o instrumento adequado para tocar a sinfonia sem barulho que é esta terra. A minha avó que não se ouve em excesso e as couves dela já todas comidas ou por ela, umas com ela, outras por outros como ela. A ameixeira do meu avô ora sem propriedade. Sempre me pareceu algo repugnante pela vaidade dos frutos perfeitamente amarelos como as pérolas das senhoras nas orelhas estas últimas amiúde ouvindo poemas sinfónicos em salas e teatros arrogantes. a ameixeira que creio sita aqui só tendo alma ouve e se a tivesse a do meu avô. Penso que a alma do meu avô morreu mais lentamente na ameixeira dele que nele. Ensurdeceu a ameixeira. No lago que o meu pai fez, multiplica-se peixitos que mudam de direcção tão facil e naturalmente como ele nunca conseguiu mudar. Á noite os postes sucedendo-se porque é noite, se fosse dia nem reparava. Reparei que se fosse dia não dava por eles. Alumiaram-me por dentro. A hora de ponta que não traz para casa mais que três ou quatro carros. A estrada à qual pouco importa se carros, se mulos, se pássaros pousando só para fugir quando passa algo como jogando
- não me apanhaste!
Gente com alma e sem voz. O velho, ora desordenando a areia no chão com um pauzito, ora o mesmo pau regendo a orquestra afónica aventurando-se sem razão no ar conforme o desentorpecimento dos ossos o permita e bem assim a lucidez da alma ou falta dela, não sei. As memórias sustendo-se em tudo o que ainda vigora, também humildes nunca ambicionando a existência das coisas sensiveis. Aqui recordo-me que quero esquecer tudo, talvez arrogante demais para ouvir com alma e de menos para os salões. Também não sei. Como outros aspiro ao silêncio.
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