sexta-feira, 6 de abril de 2012

A décima quarta - do avesso sou mais que o mundo

Quando se dimensiona perante mim imenso o mundo vergado sobre ele, por mais irrisório que ali me perfile, penso sempre que virado do avesso nunca mais que ferro e níquel enquanto que eu se assim também me revira-se nele não caberia. Exércitos de cogitações guerrilhando a ordem das coisas, pessoas feitas sem coito como assim o foram Anselmo, Zé, Ana Beatriz, Vargas, Ludovico e outros de que não têm relato (talvez o sexo da literatura seja a imaginação), árvores com letras penduradas nas curvas das quais pilotos de automóveis experimetando a potência da imaginação, e os automóveis mais lentos que os mulos cortando a meta numa reiteração constante de nova partida, um navio encalhando numa vírgula que lhe compassa o destino e exasperada a tripulação ebulindo num ponto de exclamação em que a frase se termina sem que mais noticias. Pessoas que chovem de baixo para cima e nem sequer se tratam de exumações, mas chuva que cai da litosfera para atmosfera, aí onde, em morrendo alguém, como só acontece quando quero, se abre sepultura, ou não fossem as pessoas para o céu quando morrem. Um colibri derrubando um elefante de cujas entranhas se alimenta ele e respectiva família. Livros que abrem e fecham com fome sem nada no estômago, de vez em quando meio necrófagos meio canibais ruminando restos de outros livros e assim se escrevendo, uma menina pobre aqui, um menino rico ali, acolá já decomposta uma família oitocentista que não aprova o namoro, mais além um dilema intragável que se come porque os legumes apesar de tudo fazem bem. E tu, sabes bem, quem te evita é a epiderme contra à qual te atiras e nela se te molda de vez em quando um cotovelo, ou a ponta do nariz, ou quando tenho sorte um mamilozito, por isso, se me virar do avesso sabes que seremos felizes, só o pormenor da tua inexistência o tem protelado.
Só não me mete medo essa grandeza desmedida do mundo porque do avesso a medida sou eu que a faço e se é grande é porque alguém assim o considera. E se necessário for, sento num monte de ferro ou níquel um palhaço e meto-me na lua a assistir troçando.

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