quinta-feira, 22 de agosto de 2013
terça-feira, 13 de agosto de 2013
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Discurso
Seres vivos e seres não-vivos,
cidadãos do mundo, cidadãos nacionais e apátridas, homens e mulheres, transexuais
e travestis, homossexuais e heterossexuais, assexuados e bem providos, crentes,
não crentes e gente saudável, políticos e pessoas de bem, empregados e
desempregados, carecas e barbudos, ricos e pobres, senhora presidente, senhores
ministros, senhoras e senhores deputados, comentadores e gente com profissão,
fumadores e não fumadores, alcoólatras e copinhos de leite, toxicodependentes e
não seropositivos, José Castelo Branco e Lady Gaga, artistas, desportistas,
nadadores salvadores e nadadores salvados, filósofos e povinho, cantores e Tony
Carreira, felinos e gatos, mamíferos e baleias, terráqueos e marcianos, alemães
e não exploradores, FMI, BCE e Comissão Europeia, Sr. Presidente do Conselho
Europeu e não fantasmas, chineses e gente que não sabe de matemática, brasileiros
e sisudos, gregos e troianos, padres e não pedófilos, fascistas, comunistas e
não lunáticos, velhos e novos, donas de casa e emancipadas, Manuel Luis Goucha
e Cristina Ferreira, traidores e traídos, gigalos e masturbadores, Erica Fontes e virgens, reis e
rainhas, cavalos e torres, peões e condutores, obesos e tísicos, bebés reais e bebés fictícios, Nenuco e Carlota cambalhota, generosos e unhas-de-fome,
optimistas, realistas, pessimistas e Medina Carreira, criacionistas e evolucionistas, poetas e Vitor Espadinha, reclusos e freiras, activistas e inactivos, Ronald McDonald e nutricionistas, partidos políticos, no name e super-dragões, violadores e violados,
autarcas e não corruptos, eleitores e eleitos, julgadores e julgados, urbanos e
rurais, grafitares e não vândalos, preconceituosos e bloquistas, líderes da
oposição e António José Seguro, envergonhados e José Sócrates, mães e pais,
filhos e enteados, famílias, homens-estátua e Prof. Marcelo, Hitler e Ghandi,
pudicas e putas, camionistas, taxistas e corteses, aficionados e corajosos,
médicos e veterinários, advogados e o resto, Sr. Secretário-geral das Nações
Unidas, Conselho de Segurança da ONU e instituições democráticas, Sua Santidade
o Papa e Pinto da Costa, Obama e basquetebolistas, eficientes e deficientes, terroristas e
aterrorizados, mortais e Manoel de Oliveira, humanos, robts e Stephen Hawking, escritores e José Rodrigues dos Santos, jornalistas e pessoas que escrevem no Correio da Manhã, Santa Maria e restantes mães de Jesus, Francisco, Jacinta e Lúcia, deuses e semi-deuses,
Deus, Ala, Buda, Grande Arquitecto do Universo, Jeová, Diabo, Marx e Adam Smith, Dona
Clutilde e Sr. Manel, esquecidos e não lembrados(ênfase):
-Bom dia!
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
sábado, 3 de agosto de 2013
O pitagórico pecado - teorema de favas
Vai para o Inferno e vai à fava, expressões coloquiais, mas às quais até hoje só à primeira atribuía ressonância patentemente religiosa. Sempre soube, nada sabendo, que deveria ser pecado comer a diabólica, embora nutritiva, semente da fava. Já deveria ter a sageza suficiente para perceber que a despesa do bolo rei a cargo de a quem ela calhasse não poderia augurar boa fama, mas, enfim, quão sempre tão ingénuos somos.
Diríamos que devaneio de uma estrela de rock, sempre implicativas e espirra-canivetes, e que os seguidores jovens adolescentes sem senso reféns desta moderna mitologia das superestrelas. Não, porém. O fundador desta nobilíssima religião aparece-lhes logo no ensino básico cujos ensinamentos oram cantarolando: num triângulo rectângulo, o quadrado da hipotenusa é igual à soma do quadrado dos catetos. De certo importante, mas não evita, em casa, depois de um dia extenuante, uma refeição menos a gosto. Se introduzindo Pitágoras como grande matemático, seu fundador enquanto demonstração dedutiva, se acrescentasse ainda a sua qualidade de fundador de uma religião baseada na transmigração das almas e, mais importante, na abstenção das favas, era ver notas a subir. Mas, enfim, é esta a pedagogia pouco imaginativa e sem recursos que temos.
Religião no entanto malograda, porque, pasme-se, privar alguém do que gosta, não é boa maneira de arregimentar fiéis. Foi por isto, por os não regenerados da ordem de Pitágoras gostarem de favas, que a revolta se instalou e a religião não pode seguir o seu trilho história afora excomungado os Josés Cids deste mundo. Se usasse da mesma perspicácia que aquela que presdiu à descoberta do dito teorema iria perceber que não era boa ideia fundar uma religião baseada no pecado de comer favas para homens que possivelmente gostam de favas. Ora, menos perspicázes houve, pois que se ao diabólico legume muitos há que ainda engelham o nariz, não se somam tantos os que o engelham ao fêmeo sexo. Quem provou dos dois está comigo: a abstenção das favas mais lhe obvia o génio que o desautoriza. Ficam ainda alguns dos preceitos da ordem de Pitágoras, referidos por Burnet em Early Greek Philosophy:
- Abster-se de favas;
- Não apanhar o que caiu;
- Não tocar um galo branco;
- Não partir pão;
- Não passar sobre uma tranca;
- Não avivar o lume com ferro;
- Não comer de um pão inteiro
- Não despedaçar uma grinalda;
- Não se sentar numa quartola;
- Não comer o coração;
- Não passear em estradas;
- Não deixar andorinhas aninhar no telhado;
- Ao tirar a panela do lume não deixar a marca nas cinzas, mas agitá-las;
- Não se ver ao espelho junto de uma luz
- Ao despir a roupa de cama, enrolá-la e desfazer as impressões do corpo.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
segunda-feira, 15 de julho de 2013
sábado, 13 de julho de 2013
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Não consinto em não consentir e o paradoxo da democracia deliberativa
Burke, não a despeito do que aqui se trata, mas na acusação a Hastings sobre a sua condução da Companhia Britânica das Índias, não reprimiu no parlamento de Londres: "Deu-se um facto sobre o qual é difícil falar e impossível ficar calado". Assim é hodiernamente cá no burgo. É impossível ficar calado perante o excrescência discursiva de tudo o que mexe na politica nacional. Reputar a ideia de ser concebível cercear o verborreia politica, de antidemocrática e limitativa do corolário da liberdade de expressão incindível da democracia, radica num visão traumatológica inculcada nos espíritos pela limitação das liberdades nos sistemas autoritários anteriores que, aliás, só a posteriori se podem considerar maus e mesmo aí de notar que amiúde resultantes do voto popular. A tirania não significa, como diz p.ex., Bertrand Russel, governo mau, mas apenas o de um homem que o não tem hereditariamente.
Da falibilidade do voto popular emerge a precipuidade da discussão pública. Essa essencialidade não a comprova apenas a literatura jusfilosófica e politico-filosófica contemporânea, v.g Rawls, Habbermas e Sen. Sem exluir a tradição da discussão pública helénica, são mais bastos os exemplos: os conselhos "budistas" na Índia em que os representantes de diversas opiniões se reuniam para argumentarem a despeito das suas diferenças, logo no séc. VI a.C; no séc. III a,C., em Pataliputra o imperador Ashoka tenta codificar as primeiras regras de discussão pública e, no Japão, em 604 d.C o principe budista Shotoku elaborou a chamada "Constituição dos Dezassete Artigos", prescrevia: "As decisões importantes não devem ser tomadas por uma só pessoa. Devem ser discutidas por muitas pessoas."
Ora, esta ideia de uma constituição regulativa da discussão pública não parece hoje anacrónica. Pelo contrário. Na era da informação, pelo menos da comunicação, seria óbvia a sua mais apertada regulação. Pessoas são julgadas na televisão por gente sem poder judicial, governos são quase depostos por gente sem poder juridicamente atribuído para tal. Urge, modestamente considero, a definição de limites ao não entendimento como funestamente o atesta o momento politico actual muitas vezes por uma necessidade injusticada e ideológica de desacordo ou não prevalecente perante os benefícios do acordo. Um mau entendimento é melhor que entendimento nenhum que redunda em anarquia.
Uma visão hipertrófica da função legitimante do acto electivo já não colhe, seja pela razão mais dificilmente defensável que o dever de voto implica a alienação da liberdade da vontade interna na qual deve assentar a constituição de uma vontade externa incidente sobre a primeira: no limite, quando o formato da vontade externa está já definido (p.ex. democracia) no momento da renovação dessa vontade tem-se já o dever de ser livre o que não é inteligível porquanto a liberdade sobre a qual impende o dever de exercício já não é verdadeiramente livre, razão pela qual inevitavelmete a identificação da vontade externa com a vontade do déspota no momento constituinte é mais consentânea com a liberdade de cada um. Seja pelo facto da partidocracia não servir a representatividade politica. Se o momento materializante da democracia deslizou para a discussão pública não se percebe como se propala serem os partidos o sine qua non da democracia, quando o único entrave equacionável e possivelmente com capacidade de impedir ou monopolizar essa discussão são os próprios partidos. O "exercicio da razão pública" (expressão de Rawls) está pois refém dos partidos, dos partidos que cegamente não concordam senão quanto a principios essencialissimos da normatividade constitucional e, mesmo aí, quanto aos que não tenham um mínimo de dubiedade na sua redacção. Mesmo quando havendo parca ainda que séria discussão pública, mais uma vez a partidocracia a não torna consequente, no preciso sentido em que o momento decisório da democracia deliberativa, em Portugal, não é tributário da prévia discussão pública, porquanto prevalece a decisão daquele que tem a maioria parlamentar de que é presidente. Atente-se ainda que das maiores criticas que se faz aos partidos é o facto de não integrarem personalidades capazes, com sagueza e independência de espírito e, por isso, capazes de ponderar que em situações dificies é bom consentir. A independência de espírito não é ideia necessariamente incompatível com o consenso.
Impera pois a existência de um especial dever de cuidado, seriedade e consciência quanto ao valor da omissão perante a má acção daqueles que participam no debate público consequente, o inicio da normativização (escrita ou o inicio de uma tradição de aproximação possível) de vectores que delimitem a fronteira do dissenso, de meios de comunicação que ao invés de banalizar a injustiça a denuncie. No que tange aos poderes a moderação e independência deviam imperar, não significa isto que ao nivel da discussão não pública vinculante apenas das consciências de cada um não impere sem grilhões qualquer limite ao debate, incluso, incidente sobre a própria argumentação pública cuja amenização terá também por efeito o de igualmente amenizar as tensões entre os indivíduos.
MSL
segunda-feira, 24 de junho de 2013
brevissimo testamento dos perdidos
Deixa-mo-vos um quase nada enorme
Rasa a morte viva, morto vive o epirito
Que dispensando alimento sente fome
Serve-lhe a memória naus, fantasma lírico.
Outros enterraram com eles a peste e a guerra
Suportá-mos, nós, mas sepultámos a ditadura
Não acusem pois da fome que fria ferra
fecunda façam da estéril terra dura
E se o recebeis em revolto melindre
Não causa à morte matar severa agrura
E se do corpo fica ao céu grande lonjura
Perto fica a alma quando dele se cinde.
Rasa a morte viva, morto vive o epirito
Que dispensando alimento sente fome
Serve-lhe a memória naus, fantasma lírico.
Outros enterraram com eles a peste e a guerra
Suportá-mos, nós, mas sepultámos a ditadura
Não acusem pois da fome que fria ferra
fecunda façam da estéril terra dura
E se o recebeis em revolto melindre
Não causa à morte matar severa agrura
E se do corpo fica ao céu grande lonjura
Perto fica a alma quando dele se cinde.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
( )
As noites quentes quando na cidade não faz barulho são assustadoras pelo silêncio. É monstruosa a empresa de o vencer. Ateia-se um cigarro, mas a passa breve nem chega a dar a sensação de um encontro. Expele-se o fumo e o desvanecer-se no céu não logra obter nos sentidos o aparato de um milagre, nem a explicação cientifica surge com autoridade. Imaginados, a chuva, o vento, o frio, o trovão, são tão quentes como o calor, pelo menos nos dias silenciosos. Por isso, um livro. Uma rajada de conceitos que suponho, alguns se soubessem o que lhes sinto, fechar-se-iam como uma flor a quem o sol ainda não obrigou a despir-se. As flores são umas putas, mas a culpa é do sol. Se não abrissem... cedia de boa vontade a beleza pelo mistério da beleza, o perfume pelo mistério do perfume. Isto nos dias de barulho em que o pormenor pára o tempo.
É monstruosa a empresa de o vencer, não pelo barulho que se faça, mas pelo silêncio que não se ergue como fogo contra fogo, mas que é o mesmo fogo que por vontade e grandeza se extingue.
Não há noite quente em cidade muda que o silêncio dentro de nós não vença. O que eu gostava de escrever não em silêncio, mas silêncio mesmo.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Citação a Propósito
quinta-feira, 9 de maio de 2013
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Cantata em blá, blá, blá menor.
Quão mal vai a crise da divida pública,
A crise económica e o desemprego
E quem com elas ou delas se ocupa.
Felizmente, que salvaguarda o parlamento o cidadão mais leigo
aquele que, qual jumento, se quer meigo,
responde ainda com literatura oitocentista,
bordões de revista, calões em português puro
a tão inédito apuro.
Desapareceram da Europa os políticos de grande porte:
"Offro fame, sete, marce forzate, battaglie e morte"
E quem hoje como então, prometendo,
à permuta de pão, sangue, suor e lágrimas,
lograria consenso obter no democrático casarão?
Sobre tal estabelecimento cumpre crivar.
Dura empresa me espera,
trabalho de químico analisar o ar.
Uma a uma, duzentas e trinta cabeças é muito gado.
Pouca substância para tamanho enfado.
Fortunosos tempos, que devolvem critério à distinção outrora feita
que dilacerava a nação entre esquerda e direita
Inaugurando pela unidade prosam com sagacidade:
O seu governo já não reúne as necessárias condições politicas
para governar,
o seu governo há muito que não reúne consenso para governar.
Da bancada do Terceiro Estado, farta paleta retórica,
umas pinceladas de modernidade no marxismo,
e prosseguem, proféticos, o messianismo:
que importa ao parlamento,
há que criar emprego, pôr a economia a funcionar!
estando-se a cagar de onde vem o investimento.
Assim prometeu S. Jerónimo ateu.
O parlamento aquece
o pais de fome morto arrefece
Propugnam: ...uma politica mais amiga e próxima das pessoas
E elas que a querem tão longe.
Não menos moderna vai a direita no libreto,
que à razão de desconstar o elitismo,
preceituando bem o preto,
mais esclarecem o snobismo.
"É a politica da esmola"
prosa que pouco consola
A politica esconde o mal no reverso do avesso e vive-versa
A bem Boécio que a filosofia responde em verso!
Défice, balança de pagamentos,
execução orçamental, colocação de dívida,
não sabem conceito os cidadãos anónimos:
Foda-se, conhece?
Prosseguem com acrónimos:
IVA, IRC,IRS...
Não se obnubile outrossim, que bem representam esta nação:
Povo humilde, mais letrados embora, fanfarrão,
De calças e cuecas na mão pouco vale que tudo se veja
Enquanto se puder beber cerveja?
Sobre o monástico liquido não se reprove
Nem só bem faz solver as zonas púbicas
Também o faz nas contas publicas,
Assim alemão, borracheirão, que o comprove.
O senhor primeiro-ministro dos portugueses do respectivo partido
que cumulativamente preside,
não pode andar nas ruas acagaçado
já não fica bem nem assim nem assado,
nem seguro onde reside,
tão-pouco o outro que ergue em substântivo
o adjectivo que aquele se grudou,
cujo a antónimo a este idem
Trotemos, troikemos pelo estado de emergência,
não troquemos os tês
que há que tê-los no sítio.
Todos filhos de bons navegadores
venda cada um seu peixe como pode
o cantem bons narradores
não assim mal, em virtuosa ode.
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